Dois sinais, uma direção: o turismo em Portugal entra na era da medição

A Ambitur lançou a primeira edição totalmente digital (n.º 353, jul–ago 2025) com a sustentabilidade como tema central, e os Açores reforçaram a estratégia de qualidade acima da quantidade, agora com certificação EarthCheck Gold (2024). Em conjunto, estes movimentos marcam a passagem das promessas para a prova.

Porque é que estas duas notícias importam agora (para quem opera)

  • A opção digital da Ambitur sinaliza que sustentabilidade e digitalização deixaram de ser notas de rodapé — passaram a ser o centro editorial da conversa sobre turismo em Portugal.
  • Os Açores mostram como se faz sustentabilidade mensurável ao nível do destino: critérios reconhecidos internacionalmente, auditorias anuais e medidas concretas como gestão de fluxos e proteção marinha.

Para diretores(as)-gerais de hotel e responsáveis operacionais, a síntese é simples: trate a sustentabilidade como a receita — meça todos os dias e faça gestão deliberada.


A edição digital da Ambitur: um sinal para o mercado

A edição julho/agosto 2025 (n.º 353) da Ambitur está online e é apresentada como a primeira 100% digital. O número coloca a sustentabilidade no centro — de certificações a eficiência do dia a dia — refletindo uma mudança mais ampla para operações orientadas por dados no setor.

Porque ajuda os GMs:

  • Normaliza a certificação como roteiro operacional, não apenas um selo de marketing.
  • Legitima plataformas de medição (PMS + BMS + utilidades + resíduos) como ferramentas de gestão core, e não “pilotos” simpáticos.
  • Reforça a mudança de comunicação digital‑first (menus com QR, diretórios digitais, sinalética dinâmica) que reduz material impresso e permite analítica (aberturas, cliques, tempo de leitura).

O caso Açores: sustentabilidade com métricas, não mantras

Lagoa de Santiago, São Miguel, Açores
Lagoa de Santiago, São Miguel, Açores

  • Primeiro arquipélago no mundo certificado como Destino Turístico Sustentável pela EarthCheck (quadro reconhecido pela GSTC) em 2019; nível Gold alcançado em 2024 após auditorias sucessivas.
  • Estratégia assente em valor em vez de volume, distribuindo a procura pelas nove ilhas e ao longo do ano.
  • 30% das águas açorianas estão protegidas (cerca de metade em regime de no‑take). Em terra, Equipas Verdes por ilha alinham municípios, ONG e empresas.
  • A pressão de visitantes é gerida com fluxos controlados (ex.: shuttles para a Lagoa do Fogo) e um sistema inteligente de monitorização para perceber movimentos e padrões em tempo real.

Tradução para a operação: certificação funciona porque é melhoria contínua — mede‑se, melhora‑se e verifica‑se todos os anos. A mesma cadência escala para um único ativo hoteleiro.


Playbook para GMs: 7 movimentos para replicar neste trimestre

  1. Acompanhe intensidades, diariamente. Adicione kWh e litros por quarto ocupado e kg de resíduos por 100 dormidas ao alinhamento da manhã. Trate‑os como ADR e RevPAR.
  2. Use a certificação como roteiro. Mapeie a operação para as categorias EarthCheck/GSTC (energia, água, resíduos, comunidade). Escolha três ações trimestrais com validação do proprietário.
  3. Equilibre procura e capacidade de carga. Articule com o DMO/município a gestão de fluxos (entradas cronometradas, shuttles) e promova experiências fora de pico/fora do hotspot.
  4. Meça o que comunica. Se comunica “verde”, monitore: leituras automáticas de contadores, rastreio ao nível do contentor, e uma nota trimestral de impacto no diretório digital do hóspede.
  5. Comunique digital‑first com hóspedes. Substitua material de quarto e folhetos sazonais por QR codes, tablets e sinalética dinâmica. Capte analítica e itere.
  6. Crie uma Equipa Verde transversal. Um(a) responsável por área (Front Office, F&B, Housekeeping, Engenharia, RH). Reunião semanal de 10 minutos; uma ação mensurável/mês.
  7. Ligue‑se a plataformas de dados do setor. Use dashboards regionais (ex.: Farol, do NEST) e os dados do PMS/BMS para alinhar preço, equipas e programação energética. Dados superam intuições.

Mini‑caso: contas rápidas — comunicação em papel vs digital

Migrar editorial e materiais de hóspedes para digital não é impacto zero, mas os estudos de ciclo de vida mostram reduções relevantes face a tiragens impressas regulares.

  • Valores de referência variam de ~0,154 kg CO₂e por revista (exemplo europeu típico) até ~0,82 kg CO₂e por exemplar para um título global de maior gramagem.
  • Se uma tiragem de 5.000 exemplares migrar totalmente para online num número, as emissões evitadas podem rondar ~0,77–4,1 tCO₂e (5.000 × 0,154–0,82 kg). O resultado exato depende de papel/tintas, transporte, mix energético e fim de vida.

Objeções e respostas

“O digital também consome energia.” Verdade. Mas, para conteúdos frequentemente atualizados (revistas, material de quarto), os LCA revistos por pares indicam redução líquida ao passar para digital — sobretudo à medida que os data centers usam mais renováveis. Otimize a entrega e evite o rebound (ex.: equipamentos desnecessários).

“A certificação é cara.” Tratada como projeto de capex com poupanças em opex, tende a pagar‑se através de reduções nas utilidades, taxas de resíduos evitadas e melhor mix de preço com hóspedes e RFPs corporativas alinhados com valor. O percurso valor‑sobre‑volume dos Açores mostra a lógica à escala do destino.

“Os hóspedes não aceitam gestão de fluxos.” Quando transparente (ex.: shuttles para proteger áreas frágeis com melhor experiência no local), a satisfação tende a subir. Sinalética clara, informação de capacidade e UX consistente são essenciais.


Posição da Noytrall (e como ajudamos)

Medir primeiro. Melhorar continuamente. Comunicar com honestidade.

  • Dados unificados: Um painel por edifício para energia, água e resíduos.
  • Playbooks operacionais: Checklists e alertas para fugas e anomalias.
  • Prova para RFPs: Dados alinhados com CSRD/ESRS e com quadros do turismo (categorias EarthCheck/GSTC).

Começe por quantificar o seu histórico e descobrir a sua pegada. Marque uma demonstração de 20 minutos para descobrir como.


Fontes